Todos que já beberam das águas do Rio das Contas, sabem que no mês de agosto a cidade de Ipiaú fica em evidência. É o momento em que sentimos orgulho de estar aqui, e quem está longe sente saudades. Quem já participou de ao menos uma festa de São Roque sabe do que eu estou falando.

Até o final da década de 1930 Ipiaú era visitada quase que exclusivamente por cometas (caixeiros viajantes), em função da fama que a cidade tinha a respeito de jagunços e dos constantes surtos de doenças tropicais. Em 1940, Rafael Sampaio, Celso Barreto, Filadelfo Souza, Protógenes Jaqueira, Marques Filho, Salvador da Mata e Waldemiro Santos, resolveram promover uma festa em homenagem a São roque. Uma festa que apesar de religiosa possuísse caráter secular, com a finalidade de atrair visitantes e de tirar a impressão ruim que existia sobre a cidade.
Você deve estar se perguntando: - Por que São Roque? Bem, isso nos remete ao início do século. Os habitantes da agora conhecida Ipiaú, por volta de 1918, se concentravam nas proximidades dos dois rios que batizaram a cidade. As fortes chuvas que caracterizam a região faziam constantemente com que os rios
transbordassem, e a falta de recursos existentes na época fomentaram o desenvolvimento do impaludismo por toda a região. Segundo alguns historiadores, a região durante certo tempo teve seus habitantes dizimados pela malária e a tifo. Havia também surtos de bexiga (varíola) e algumas formas de gripes que eram fatais. Uma boa documentação sobre isso pode ser encontrada no “livro de memórias” de Clemilton Andrade.
Em depoimento à historiadora Sandra Regina, para o livro “IPIAÚ Histórias de nossa História”, José Sampaio descreve: “um padre estava passando por aqui, vindo de Camamu para ir a Jequié, e o povo foi conversar com ele, pedindo que fizesse uma missa ou oração para acabar com as calamidades do lugar, aí o padre disse: “Quem tem força para resolver isto aqui não sou eu, é São Roque! Vocês têm que fazer devoção para ele. ””
Como nunca houve em toda história uma única comunidade laica, iniciava-se assim o culto a São Roque.
Segundo Sandra Regina, a criação da paróquia só ocorreu em 24 de maio de 1931, e foi designado o padre paraibano Simão Fileto, para pároco da cidade.
Em 1964 uma enchente destruiu a igreja, que na época situava-se onde hoje funciona o prédio da Marimar, ao lado da Caixa econômica.
Em 1965 o então pároco da cidade, o Pe. Flamarion inicia o projeto de reconstrução do novo templo. Os fazendeiros locais fizeram doações, que as beatas logo utilizaram para fomentar leilões, bingos, e sorteios. Nascia aí o bingo de São Roque.
Obviamente o dinheiro foi utilizado para a construção da nova igreja. O terreno escolhido foi o mesmo onde a igreja está edificada até hoje. O dono da propriedade era José Miraglia, que se recusou a vendê-lo , só voltando atrás por medo de desapropriação – afinal, o prefeito da cidade na época era o comunista mais conhecido da região, o senhor Euclides Neto -.
A famosa alvorada só foi introduzida em 1972, na gestão do então prefeito Hildebrando Nunes.
Em 1976, a principal atração da festa seria o cantor Luis Gonzaga, mas este teve que terminar o show de forma prematura por motivo de força maior. O público já começava a tulmutuar, quando o apresentador da festa –João Araújo- com muito jogo de cintura convidou um dos manifestantes a subir no palco e fazer seu próprio show. Quem topou o desafio de João, foi Jaime Piau, interpretando “Tenho ciúme de tudo”, de Orlando Dias. O povo foi ao delírio. Nascia assim o tradicional Show de Calouros.
Em agosto de 2006, o diretor de programação da Rádio Livre, Ricardo Souza, em conjunto com alguns músicos da cidade e região – entre eles Joabe, Celso, Enoc, Diro e outros – desenvolveram o primeiro projeto instrumental da música jazz. O projeto foi batizado de “Nota Jazz”. A idéia original era fazer algo paralelo à festa de São Roque, mas o projeto acabou sendo absorvido pelas festividades, e esse ano o projeto promete. Estão confirmadas as presenças de Luciano P.P., Diro Oliveira, o grande Netão, Celso, entre outros.
Fonte: http://www.artigonal.com/arte-artigos/dias-gomes-transpirava-ipiau-727235.html


Com essa excelente postagem você está contribuindo para a difusão da História Regional, de grande importância e interesse atualmente e sempre relegada a um plano secundário no passado.
ResponderExcluirCom os meios tecnológicos que hoje existem temos a oportunidade de conhecer locais que pouco ou nada se ouvia falar e saber de sua história, sua cultura, isto amplia os horizontes dos historiadores.
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